segunda-feira, 11 de abril de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

Sala cheia com...




... Júlio Magalhães, jornalista e romancista, autor d' "Os RETORNADOS - Um Amor Nunca se Esquece", de "Um Amor em  Tempo de Guerra" e de "Longe do Meu Coração", aqui em dois modestos registos fotográficos, ontem à noite, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
Houve palmas, comoção, risos e até um ligeiro bruaá. Pessoalmente, gostei bastante. Foram umas horas muito agradáveis, ou não tivéssemos estado na presença de alguém que é  especialista na arte da comunicação.

Paulo Correia


A Passarada

Ver a grande gaiola branca cheia é muito agradável, ainda mais, por causa desse objecto obsoleto – o livro. A Passarada esteve presente, ouviu e registou o que ouviu e foi mais fotografada do que nunca. Gostei! Aprendi muito, e estas coisas são boas quando se aprende alguma coisa. Aprendi como se escreve um livro, que passos têm de ser dados, a regularidade com que o devemos fazer, etc. E esta cabecita já cansada, recolheu seu ninho cheio de ideias, que lhe afastaram o sono, com tanta agitação. E se escrevesse um livro? Que bom seria ter tanta gente à minha volta! Ideias tenho; sei escrever com alguma facilidade, colocar vírgulas e consultar o dicionário para distribuir umas palavras mais difíceis de tempos a tempos; ainda não estou completamente coca para confundir as personagens e manter alguma coerência; posso sempre aproveitar o que li noutros sítios e, para o lançamento, A Passarada ajuda. Posso contar convosco, não é verdade? Não quero escrever muito Canal 2, não quero escrever light, arrisco-me, com tanta facilidade e ilusão, é a ser ultra-leve
De uma coisa vim de lá com toda a certeza – não gosto mesmo de Morangos com açúcar…
As bicadas ternas da vossa
Escrevedeira

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Permito-me publicar uma pequena fotografia, tirada meio à sorrelfa, da sala de trabalho do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
Claramente mais bem instalados do que aqueles que o próximo convidado d' "À conversa com...", Júlio Magalhães, tentou retratar (homenagear?) no seu romance - vide anteriores postagens -, até porque estamos numa casa do Siza (!) (pois, com esta afinidade que ele, através da sua obra, quase nos impõem).

O trabalho de casa para a próxima sexta-feira, esse, está feito. Aguardo com uma certa expectativa a visita deste jornalista-escritor. Espero ficar a pensar dele tão bem como penso, desde há muito, desse outro escritor-jornalista-e-sobretudo-epicurista que nos visitou em Março, José Francisco Viegas. Fica também aqui uma lembrança desse dia.

Um abraço,
Paulo Correia



domingo, 3 de abril de 2011

Talvez se tenham cruzado por lá...



LONGE DO MEU CORAÇÃO de Júlio Magalhães.
O livro conta a história de Joaquim desde a vida dura e miserável numa aldeia perdida de Portugal dos anos sessenta até à imposição pelo Presidente da República da condecoração por altos serviços prestados à pátria, quarenta anos depois. Pelo meio há verdadeiras histórias de heroísmo, desencanto e perseverança. A primeira história de heroísmo vive-a durante o “salto”, um episódio tão traumatizante que só muitas décadas depois consegue falar sobre ele: “Acho que durante o mês que durou a viagem perdi a inocência com que saí de casa e me tornei homem.” Chegado, finalmente, a França, à terra das oportunidades e da abundância, foi um rude golpe desferido nos seus sonhos, aquilo com que se deparou e, “com os pés enterrados na lama […] não conseguiu disfarçar a desilusão. […] Depois de um mês de viagem, o corpo marcado pela fome e pelo cansaço, chegava finalmente ao seu destino. À sua frente tinha Champigny-Sur-Marne”, a terra dos sonhos e das oportunidades. […] Mas o que via […] era um cenário de total desolação.” O bidonville, a capital de Portugal em França, afinal era isto. Recomposto do murro da desilusão lançou-se ao trabalho: havia um sonho para cumprir. Custasse o que custasse chegaria lá.
Ao ler o romance vieram-me à memória dois nomes.
O primeiro, Jean Loup Passek, cineasta, fundador do festival de cinema de La Rochelle e programador do Centro George Pompidou que realizou um dia, já lá vão cerca de quarenta anos, um documentário sobre a presença dos emigrantes portugueses em França. Na altura travou conhecimento com um casal de trabalhadores portugueses que por lá labutavam. Daí a ter sido por eles convidado para passar férias em Portugal foi um passo. Passek aceitou o convite e eis que rumam a Portugal à terra dos emigrantes – Melgaço. O cineasta ficou encantado. Comprou casa por cá e não mais se desligou da Vila. Em agradecimento pela forma como foi recebido pelos portugueses doou à pequena vila de Melgaço um dos maiores espólios de artefactos cinematográficos que alguém conseguiu reunir, espólio esse que era disputado por grande parte dos países da Europa.



O segundo é Gerald Bloncourt , haitiano de nascimento, que um dia foi expulso do seu país por razões políticas e que em França tão bem retratou aqueles que, ainda que por razões diversas, foram também expulsos do seu país: os emigrantes portugueses.



A história não o diz mas imagino o Joaquim, na Rua Dunkerque, a cruzar-se vezes sem conta com Passek e aquela parafernália de fios, luzes, câmaras, carris e sombrinhas com que as tribos dos cineastas se fazem acompanhar para todo o lado, ou então a ser captado pela câmara de Bloncourt, lá ao longe, com o sfumato da neblina a diluir-lhe os contornos para que passe incógnito pela lama do bidonville.

carlos ponte

A passarada

Com o anúncio da Primavera, a passarada saiu do ninho, a notícia espalhou-se levada pelo vento, e começámo-nos a encontrar para chilrear, pipilar e palrar em conjunto.
Na gaiola branca, em Fevereiro, apesar do sol ainda estar baixo, reuniram-se o Gavião, a Lavandisca, a Rola-Brava, a Carriça, o Melro, o Pintarroxo, o Tentilhão, o Rouxinol e esta vossa Escrevedeira-de-Garganta-Preta. A razão do bando se juntar e voar em conjunto prende-se com o gosto pelo livro e pela leitura. Lemos, anotamos, pensamos, agitamos as asas, gorjeamos e, por vezes, damos bicadas fortes. É uma agitação esfusiante! Encontramo-nos com regularidade e antecipamos, com muito gozo, uma nova sessão de À conversa com…
Para não ficarmos muito out, já temos este blog… Apreciem-no, comentem-no e esperem sempre bicadas ternas da vossa
Escrevedeira

À conversa com...

À conversa com… é uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo que pretende, em torno do livro, incentivar a leitura, divulgar obras de autores da actualidade, promover a cultura e conhecimento e fomentar a interacção entre o público leitor e os escritores.
Com uma periodicidade mensal, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal, este projecto teve início em Outubro de 2009. Por estas conversas já passaram Luandino Vieira, António Manuel Couto Viana, Richard Zimler, Mário Zambujal, Rui Cardoso Martins, Alexandra Lucas Coelho, E. S. Tagino, João Tordo, Valter Hugo Mãe, Francisco Moita Flores, José Luís Peixoto, Francisco José Viegas, Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz e António Sousa Homem. E, muitos outros irão passar. Muitas sessões de autógrafos terão lugar. Muitos lançamentos de livros se farão.
Este blog é um projecto do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo e tem como objectivo divulgar e promover as actividades que se realizam em torno destas conversas. Nele poderão informar-se sobre as sessões, comentar a obra e o escritor escolhido e sugerir outros livros e outros escritores. Queremos que as sessões sejam cada vez mais participadas e com mais pessoas interessadas a assistir.

Isabel Campos