terça-feira, 17 de julho de 2012

Frei Fernando Ventura

Fotorreportagem da conversa com Frei Fernando Ventura na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo no dia 13 de julho de 2012.








segunda-feira, 9 de julho de 2012

À conversa com... Frei Fernando Ventura

Dia 13 de Julho, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, vamos conversar com... Frei Fernando Ventura, a propósito do livro  "Do eu solitário ao nós solidário".

O Autor

 Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho, nasceu em 1959. Teólogo e biblista, foi professor de Ciências Religiosas no ISCRA em Aveiro. É intérprete na Comissão Teológica Internacional da Santa Sé. Colabora, como tradutor, com diversos organismos internacionais, como a Ordem dos Capuchinhos, a OFS e a Federação Bíblica Mundial. Pertence ao quadro de redactores da revista Bíblica, onde assina artigos de aprofundamento teológico. Autor do primeiro estudo sobre Maria no Islamismo, lançou o livro Roteiro de Leitura da Bíblia (Editorial Presença). Ministra cursos e retiros, percorre o mundo, de convite em convite ou de conferência em conferência, como tradutor. É assíduo comentador de actualidade social e religiosa na SIC Notícias. A TSF escolheu-o como “figura do ano” em 2010.



O Livro


Trata-se de uma conversa intimista e sem preconceitos sobre Deus, o Homem e o Mundo.

Divagações e reflexões sobre a actualidade com viagens ao passado para melhor podermos escolher um caminho de futuro. 



terça-feira, 19 de junho de 2012

A CABRA DO SR. SEGUIN E O RETIRO DE LUDO

Como quereis que tenha saudades do vosso Paris barulhento e sombrio? Estou tão bem no meu moinho!
Alphonse Daudet, Cartas do Meu Moinho


Ludovica Fernandes, que haveria de delapidar o grosso de uma farta biblioteca, colmatando com os livros a eletricidade e o gás que lhe iam chegando aos repelões, nunca terá conseguido separar-se das cartas de Daudet.  Quando a promessa de um novo dia, mal tinha ainda abandonado as águas cálidas do Índico, imagino-a a subir as escadas de caracol agarrada ao seu tesouro. No terraço, enquanto deixava que a vista se espraiasse pelo mundo hostil que a cercava, abria o livro na história de Blanquette, a bela cabrinha de sedosa pelagem branca que amava a liberdade, e então, começava a ler. Apesar de ter uma bela vida na quinta do senhor Seguin, no verdejante vale do Ródano, Blanquette olhava o horizonte e sentia o apelo das montanhas distantes. Uma manhã, apesar dos esforços em contrário do dono, Blanquette fugiu. Durante todo o dia andou alegre, correndo pela montanha, guiada pelo instinto, inebriada pelos mil cheiros e sabores das plantas que nunca tinha visto. Ao cair da noite a cabrinha pressente o perigo. Podia ainda regressar à segurança da quinta mas lembrando-se que voltaria a ser amarrada ao poste, atira para longe esse pensamento, vira-se e enfrenta corajosamente o lobo. Lutará com ele toda a noite mas ao alvorecer o lobo lançar-se-á, finalmente, sobre ela e comê-la-á. Imagino Ludovica a ler uma e outra vez a aventura épica de Blanquette, admirando-lhe a coragem. Muitos anos depois, quando a vista lhe começou a pregar partidas e nem a mais potente lupa lhe conseguia desenredar o emaranhado nebuloso das letras, Ludovica haveria de ensinar o pequeno Sabalu a ler. Imagino-os sentados no terraço do prédio dos invejados, debaixo do céu de chumbo de Luanda. O órfão contava à velha senhora a história da sua vida: sabe avó, a minha mãe me morreu quando eu era criança. […] Converso com ela, mas me faltam as mãos com que me protegia. A velha senhora, condoída, abraçava, então, o petiz. E assim, aninhado na segurança do colo da anciã, começava a ler: Hás-de ser sempre o mesmo meu pobre Gringoire!...
Teoria Geral do Esquecimento, o último livro de José Eduardo Agualusa fala-nos de um tempo de ódios e vinganças. Fala-nos dos anos de chumbo dos alvores da nação Angolana. Fala-nos de um tempo em que, para preservar a revolução socialista se permitiriam, utilizando um eufemismo grato aos agentes da polícia política, certos excessos. É para fugir a este clima que a aterroriza que Ludovica Fernandes ergueu uma parede que a separou do mundo. Assim emparedada viverá por mais de vinte anos até que Sabalu, com meia dúzia de violentas pancadas de picareta, abriu um buraco na parede. E a velha senhora que recebia as notícias do mundo coadas pelo discernimento estreito do jovem órfão que um dia lhe entrou em casa com o intuito de roubar, pôde então perceber que o tempo era outro. Os angolanos já não se matavam uns aos outros como cães raivosos. Estavam a chegar generais e ministros, pessoas com dinheiro para comprar prédios elegantes e passados imaculados.
Hoje, felizmente, a guerra já não atormenta a nação angolana. Como alguém dizia, a maldade também precisa descansar. Pena que nem todos consigam fazer o exercício do Pequeno Soba. Ele que fugiu da cadeia num caixão e teve direito a um funeral improvisado, ganhou o hábito de se visitar no dia da sua suposta morte, levando flores para si mesmo. Diante da sua campa reflete sobre a fragilidade da vida e pensa em si mesmo como num parente próximo. Pesa as qualidades e os defeitos e no merecimento das suas lágrimas. E então, quase sempre, Pequeno Soba chora um pouco. Que lágrimas brotariam outros se tivessem também a capacidade de se visitarem na campa?

terça-feira, 12 de junho de 2012

À conversa com... José Eduardo Agualusa

Dia 22 de Junho, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, vamos   conversar com... José Eduardo Agualusa, a propósito do seu  último livro intitulado "Teoria Geral do Esquecimento".



O Autor


José Eduardo Agualusa nasceu na cidade do Huambo, em Angola, a 13 de Dezembro de 1960. Estudou Agronomia e Silvicultura em Lisboa. Nos últimos 10 anos tem vivido entre Angola, Portugal e o Brasil. Iniciou a sua carreira literária em 1988, com a publicação de um romance histórico, A Conjura.

É autor de uma vasta obra que inclui romances, novelas, contos, crónicas, teatro, livros infantis, um livro de reportagens e um relato de viagens. As suas obras estão publicadas em mais de vinte países. Ao seu romance O Vendedor de Passados foi atribuído o Prémio Independent – Ficção Estrangeira.

Teoria Geral do Esquecimento é o seu mais recente romance.


Teoria Geral do Esquecimento

Sinopse



Luanda, 1975, véspera da Independência. Uma mulher portuguesa, aterrorizada com a evolução dos acontecimentos, ergue uma parede separando o seu apartamento do restante edifício - do resto do mundo. Durante quase trinta anos sobreviverá a custo, como uma náufraga numa ilha deserta, vendo, em redor, Luanda crescer, exultar, sofrer. Teoria Geral do Esquecimento é um romance sobre o medo do outro, o absurdo do racismo e da xenofobia, sobre o amor e a redenção.