quinta-feira, 13 de setembro de 2012

À conversa com... João Ricardo Pedro

Dia 28 de Setembro, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, vamos conversar com... João Ricardo Pedro, a propósito do livro "O teu rosto será o último".

O Autor


João Ricardo Pedro nasceu em 1973, na Reboleira, Amadora. Curioso acerca da força de Lorentz, licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico. Durante mais de uma década, trabalhou em telecomunicações sem, no entanto, alguma vez ter aplicado as admiráveis equações de Maxwell. Na primavera de 2009, em consequência do carácter caprichoso dos mercados, achou-se com mais tempo do que aquele de que necessitava para cumprir as obrigações do quotidiano. Num acesso de pragmatismo, começou a escrever. O Teu Rosto Será o Último é o seu romance de estreia.


O livro

 
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu.
 
Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial.

Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

terça-feira, 17 de julho de 2012

À conversa com... Frei Fernando Ventura

Mensagem de Frei Fernando Ventura a propósito da conversa realizada na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.

Frei Fernando Ventura

Fotorreportagem da conversa com Frei Fernando Ventura na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo no dia 13 de julho de 2012.








segunda-feira, 9 de julho de 2012

À conversa com... Frei Fernando Ventura

Dia 13 de Julho, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, vamos conversar com... Frei Fernando Ventura, a propósito do livro  "Do eu solitário ao nós solidário".

O Autor

 Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho, nasceu em 1959. Teólogo e biblista, foi professor de Ciências Religiosas no ISCRA em Aveiro. É intérprete na Comissão Teológica Internacional da Santa Sé. Colabora, como tradutor, com diversos organismos internacionais, como a Ordem dos Capuchinhos, a OFS e a Federação Bíblica Mundial. Pertence ao quadro de redactores da revista Bíblica, onde assina artigos de aprofundamento teológico. Autor do primeiro estudo sobre Maria no Islamismo, lançou o livro Roteiro de Leitura da Bíblia (Editorial Presença). Ministra cursos e retiros, percorre o mundo, de convite em convite ou de conferência em conferência, como tradutor. É assíduo comentador de actualidade social e religiosa na SIC Notícias. A TSF escolheu-o como “figura do ano” em 2010.



O Livro


Trata-se de uma conversa intimista e sem preconceitos sobre Deus, o Homem e o Mundo.

Divagações e reflexões sobre a actualidade com viagens ao passado para melhor podermos escolher um caminho de futuro. 



terça-feira, 19 de junho de 2012

A CABRA DO SR. SEGUIN E O RETIRO DE LUDO

Como quereis que tenha saudades do vosso Paris barulhento e sombrio? Estou tão bem no meu moinho!
Alphonse Daudet, Cartas do Meu Moinho


Ludovica Fernandes, que haveria de delapidar o grosso de uma farta biblioteca, colmatando com os livros a eletricidade e o gás que lhe iam chegando aos repelões, nunca terá conseguido separar-se das cartas de Daudet.  Quando a promessa de um novo dia, mal tinha ainda abandonado as águas cálidas do Índico, imagino-a a subir as escadas de caracol agarrada ao seu tesouro. No terraço, enquanto deixava que a vista se espraiasse pelo mundo hostil que a cercava, abria o livro na história de Blanquette, a bela cabrinha de sedosa pelagem branca que amava a liberdade, e então, começava a ler. Apesar de ter uma bela vida na quinta do senhor Seguin, no verdejante vale do Ródano, Blanquette olhava o horizonte e sentia o apelo das montanhas distantes. Uma manhã, apesar dos esforços em contrário do dono, Blanquette fugiu. Durante todo o dia andou alegre, correndo pela montanha, guiada pelo instinto, inebriada pelos mil cheiros e sabores das plantas que nunca tinha visto. Ao cair da noite a cabrinha pressente o perigo. Podia ainda regressar à segurança da quinta mas lembrando-se que voltaria a ser amarrada ao poste, atira para longe esse pensamento, vira-se e enfrenta corajosamente o lobo. Lutará com ele toda a noite mas ao alvorecer o lobo lançar-se-á, finalmente, sobre ela e comê-la-á. Imagino Ludovica a ler uma e outra vez a aventura épica de Blanquette, admirando-lhe a coragem. Muitos anos depois, quando a vista lhe começou a pregar partidas e nem a mais potente lupa lhe conseguia desenredar o emaranhado nebuloso das letras, Ludovica haveria de ensinar o pequeno Sabalu a ler. Imagino-os sentados no terraço do prédio dos invejados, debaixo do céu de chumbo de Luanda. O órfão contava à velha senhora a história da sua vida: sabe avó, a minha mãe me morreu quando eu era criança. […] Converso com ela, mas me faltam as mãos com que me protegia. A velha senhora, condoída, abraçava, então, o petiz. E assim, aninhado na segurança do colo da anciã, começava a ler: Hás-de ser sempre o mesmo meu pobre Gringoire!...
Teoria Geral do Esquecimento, o último livro de José Eduardo Agualusa fala-nos de um tempo de ódios e vinganças. Fala-nos dos anos de chumbo dos alvores da nação Angolana. Fala-nos de um tempo em que, para preservar a revolução socialista se permitiriam, utilizando um eufemismo grato aos agentes da polícia política, certos excessos. É para fugir a este clima que a aterroriza que Ludovica Fernandes ergueu uma parede que a separou do mundo. Assim emparedada viverá por mais de vinte anos até que Sabalu, com meia dúzia de violentas pancadas de picareta, abriu um buraco na parede. E a velha senhora que recebia as notícias do mundo coadas pelo discernimento estreito do jovem órfão que um dia lhe entrou em casa com o intuito de roubar, pôde então perceber que o tempo era outro. Os angolanos já não se matavam uns aos outros como cães raivosos. Estavam a chegar generais e ministros, pessoas com dinheiro para comprar prédios elegantes e passados imaculados.
Hoje, felizmente, a guerra já não atormenta a nação angolana. Como alguém dizia, a maldade também precisa descansar. Pena que nem todos consigam fazer o exercício do Pequeno Soba. Ele que fugiu da cadeia num caixão e teve direito a um funeral improvisado, ganhou o hábito de se visitar no dia da sua suposta morte, levando flores para si mesmo. Diante da sua campa reflete sobre a fragilidade da vida e pensa em si mesmo como num parente próximo. Pesa as qualidades e os defeitos e no merecimento das suas lágrimas. E então, quase sempre, Pequeno Soba chora um pouco. Que lágrimas brotariam outros se tivessem também a capacidade de se visitarem na campa?