quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

À conversa com... Inês Pedrosa

Dia 25 de Janeiro, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, vamos conversar com... Inês Pedrosa, a propósito do livro "Dentro de ti ver o mar".




A Autora
 
Inês Pedrosa (n. 1962) é licenciada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou em vários jornais ("O Jornal", "JL", "O Independente", "Expresso") e revistas ("Marie Claire", de que foi directora durante 3 anos e "Ler"). O seu primeiro romance, "A instrução dos amantes", foi publicado em 1992, e nele traçava as estratégias da vida adulta sobre um microcosmos de adolescentes suburbanos. Cinco anos mais tarde surgiu "Nas tuas mãos", onde a autora nos leva a imaginar o Portugal das últimas décadas, através das emoções das três protagonistas, três mulheres (avó, mãe e filha) que cruzam destinos e memórias que atravessam o século XX. Outras obras publicadas: “Fazes-me falta” (2002); “A menina que roubava gargalhadas” (2002); “Fica comigo esta noite”, contos (2003); “Carta a uma amiga”, com Maria Irene Crespo (2005); “Do grande e do pequeno amor”, com Jorge Colombo (2006); “A eternidade e o desejo” (2007); “Os íntimos” (2010).
Publicou ainda uma magnífica "Fotobiografia de José Cardoso Pires", e os livros "20 Mulheres para o Século XX" e "Poemas de Amor (antologia de poesia portuguesa)", que seleccionou, organizou e prefaciou, ambos editados por Publicações D. Quixote; “Anos Luz: trinta conversas para celebrar o 25 de Abril” (2004); “Crónica Feminina” (2005); e “No coração do Brasil – seis cartas de viagem ao padre António Vieira” (2008).
 
“Dentro de ti ver o mar”  é o seu mais recente romance.

 
O Livro

Dentro de ti ver o mar. A frase era dele, e dissera-a sem sequer gaguejar. Dentro dela Gabriel perdia completamente a gaguez. A frase era dele e agora Rosa esperava que viesse reivindicar-lha. Era esse o seu engenho emancipatório. Dessa frase que não lhe pertencia surgira uma letra de fado e o sucesso da fadista, numa Lisboa saturada de novos heróis do fado. Procissões de artistas despontavam diariamente para o anonimato. O fracasso subia-lhes à cabeça.

A vida da fadista Rosa, que procura o pai que nunca conheceu, cruza-se com a de Farimah, que escapa ao fado desenhado pelo pai, e com a de Luísa, que não teve mãe e ofereceu a filha. A história de três mulheres desobedientes e de como cada uma delas encontra a sua própria voz.

 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

ENQUANTO O PRÓXIMO CONVIDADO NÃO CHEGA


«Desenhámos com um graveto na areia molhada a viagem de Ulisses: navegara pelo Mediterrâneo, ultrapassando o Estreito de Gibraltar (Colunas de Hércules, diziam os antigos), contornando um pedaço do sul da Ibéria, passando pelo que depois seria o Algarve. Subiria ao longo da costa, talvez aportasse no que depois seria Alcácer do Sal ou logo a seguir no porto de Setúbal, chegaria a Lisboa, entraria a barra, subiria o rio desde a foz até ao Mar da Palha, onde o rio ainda salgado se espraia como um pequeno mar interior, que lhe lembraria o Mediterrâneo. E antes ou depois (mas provavelmente antes) de dar a esse lugar aprazível o seu nome, Ulisseum, teria navegado diante de Setúbal até Tróia, que então, na ausência do posterior assoreamento, ainda seria uma ilha.»
Enquanto o próximo convidado não chega folheemos de novo “A Cidade de Ulisses”. O último livro de Teolinda Gersão é, também, um livro de viagens, um livro de muitas viagens. Das viagens de Ulisses da guerra de Tróia ao regresso a Ítaca, das viagens de «um pequeno país de 89 mil quilómetros quadrados [que] colocou padrões de pedra, símbolo da sua presença e do seu domínio, numa área vastíssima do planeta […] do Atlântico ao Índico e ao Pacífico» e que malbaratou uma e outra vez as riquezas incomensuráveis que ia obtendo e é também uma viagem por Lisboa pela Ulisseum de Ulisses, «transformada depois em Olisipo através de uma etimologia improvável.» Uma viagem não de turista, uma viagem de viajante porque «o turista vai à procura de lugares para fugir de si próprio, da rotina, do stress, da infelicidade, do tédio, da velhice, da morte. Vê os lugares onde chega apenas de relance e não fica a conhecer nenhum, porque logo os troca por outros e foge para mais longe. O viajante vai à procura de si, noutros lugares que fica a conhecer profundamente porque nenhum esforço lhe parece demasiado e nenhum passo excessivo, tão grande é o desejo de se encontrar. As agências de viagens e os turistas só se interessam, obviamente, pelas cidades reais. Os viajantes referem as cidades imaginadas. Com sorte, conseguem encontrá-las. Ao menos uma vez na vida.»
Enquanto o próximo convidado não chega, dizia, deliciemo-nos com esta outra maravilhosa viagem por Lisboa.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Teolinda Gersão

Reproduzimos aqui a opinião da escritora Teolinda Gersão a propósito da conversa realizada no passado dia 23 de Novembro na Biblioteca Municipal.

À conversa com... Teolinda Gersão

Fotorreportagem da conversa com a escritora Teolinda Gersão no dia 23 de Novembro de 2012