quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
sábado, 21 de dezembro de 2013
PÔS-SE A CANTAR, COMO LÁ NA ALDEIA.
[…]
Era a véspera do Natal. Às dez e meia, o patrão mandou-o deitar e saiu.
Que alegria estar só!
Não lhe deixavam luz; mas que importava? Às escuras armaria o presépio. E logo principiou. Enrolou o moinho, pôs-lhe as velas; esticou o papel azul que fingia o céu e pregou nele com um alfinete a meia Lua; espalhou o vidro moído, num S em volta das palhas; dispôs as figurinhas, suspendeu os anjos. Depois fez uma carreira de fósforos de cera, que todos se haviam de acender ao mesmo tempo, num deslumbramento, quando desse meia noite.
Deram onze e três quartos.
Ajoelhou.
Batia-lhe o coração, que lhe parecia que deviam de ser milagrosas as figurinhas, que delas lhe viria algum bem, consolação da sua vida triste.
Que seria quando ele iluminasse o desvão da escada e os santinhos se pusessem todos a luzir quase tanto como os verdadeiros? Rezava-lhes… rezava-lhes… Àquela hora, lá na aldeia, tocavam os sinos alegres e iam ranchos contentes a caminho da igreja. Lá dentro reluzia o trono, e o sacristão muito atarefado ia, vinha…
Meia noite!
Acendeu os fósforos e ficou embasbacado!
Nunca assim vira coisa tão perfeita. Os anjos voavam deveras, os cavalos dos reis galopavam, o rio corria, as velas giravam no moinho e os pontinhos do Menino Jesus sorriam-lhe no rosto a São José e a Nossa Senhora!
Pôs-se a cantar, como lá na aldeia:
Era a véspera do Natal. Às dez e meia, o patrão mandou-o deitar e saiu.
Que alegria estar só!
Não lhe deixavam luz; mas que importava? Às escuras armaria o presépio. E logo principiou. Enrolou o moinho, pôs-lhe as velas; esticou o papel azul que fingia o céu e pregou nele com um alfinete a meia Lua; espalhou o vidro moído, num S em volta das palhas; dispôs as figurinhas, suspendeu os anjos. Depois fez uma carreira de fósforos de cera, que todos se haviam de acender ao mesmo tempo, num deslumbramento, quando desse meia noite.
Deram onze e três quartos.
Ajoelhou.
Batia-lhe o coração, que lhe parecia que deviam de ser milagrosas as figurinhas, que delas lhe viria algum bem, consolação da sua vida triste.
Que seria quando ele iluminasse o desvão da escada e os santinhos se pusessem todos a luzir quase tanto como os verdadeiros? Rezava-lhes… rezava-lhes… Àquela hora, lá na aldeia, tocavam os sinos alegres e iam ranchos contentes a caminho da igreja. Lá dentro reluzia o trono, e o sacristão muito atarefado ia, vinha…
Meia noite!
Acendeu os fósforos e ficou embasbacado!
Nunca assim vira coisa tão perfeita. Os anjos voavam deveras, os cavalos dos reis galopavam, o rio corria, as velas giravam no moinho e os pontinhos do Menino Jesus sorriam-lhe no rosto a São José e a Nossa Senhora!
Pôs-se a cantar, como lá na aldeia:
Andava nessas campinas,
Esta noite, um querubim.
[…]
“O Presépio”, D. João da Câmara [extrato], in «Gloria in Excelsis,
Histórias Portuguesas de Natal, Antologia», Vasco Graça Moura
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
À conversa com... Gonçalo M. Tavares
No próximo dia 20 de Dezembro, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal, iremos conversar com o escritor Gonçalo M. Tavares a propósito do livro "Atlas do Corpo e da Imaginação".
O Livro
Atlas do Corpo e da
Imaginação é um livro
de Gonçalo M. Tavares que atravessa a literatura, o pensamento e as artes,
passando pela imagem e por temas como os da identidade, tecnologia; morte e ligações
amorosas; cidade, racionalidade e loucura, alimentação e desejo, etc. Centenas
de fragmentos que definem um itinerário no meio da confusão do mundo, discurso
acompanhado por imagens de "Os Espacialistas", colectivo de artistas
plásticos. É um livro para ler e para ser visto e é também, de certa maneira,
uma narrativa - com imagens que cruzam, com o texto, os temas centrais da
modernidade.
Neste Atlas
do Corpo e da Imaginação, Gonçalo M. Tavares revisita ainda a obra
de alguns dos mais importantes pensadores contemporâneos, partindo de Bachelard
e Wittgenstein, passando depois por Foucault, Hannah Arendt, Roland Barthes,
mas também por escritores como Vergílio Ferreira, Llansol ou Lispector, entre
muitos outros. Arquitectura, arte, pensamento, dança, teatro, cinema e
literatura são disciplinas que atravessam, de forma directa e oblíqua, o livro.
Com o seu espírito claro e
lúcido, Gonçalo M. Tavares conduz-nos com precisão e entusiasmo através do
labirinto que é o mundo em que vivemos.
O Autor
Gonçalo M. Tavares nasceu em
1970, em Luanda. Passou a sua infância em Aveiro. Publicou a sua primeira obra
em dezembro de 2001. Editou romances, contos, ensaio, poesia e teatro.
Em Portugal recebeu vários
prémios, entre os quais: o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium
BCP 2004, com o romance Jerusalém;
o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores "Camilo
Castelo Branco" com Água,
Cão, Cavalo, Cabeça.
Prémios internacionais: Prémio
Portugal Telecom 2007 (Brasil); Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália);
Prémio Belgrado Poesia 2009 (Sérvia); Nomeado para o Prix Cévennes 2009 -
Prémio para o melhor romance europeu (França)., Grand Prix Littéraire du
Web-Culture 2010 (França), Prix Littéraire Européen 2011 (França).
O seu livro Uma
Viagem à India recebeu,
entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela APE 2011. Os seus livros
deram origem, em diferentes países, a diversos trabalhos artísticos e
académicos. Está traduzido em cerca de 45 países.
Jerusalém foi o romance mais escolhido pelos críticos
do Público para "Livro da Década".
Os seus livros deram origem, em
diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens e
objectos de artes plásticas, dança, vídeos de arte, ópera, performances,
projectos de arquitectura, teses académicas, entre outras obras.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Com J. Rentes de Carvalho foi assim...
Fotos da sessão com o escritor J. Rentes de Carvalho, na Biblioteca Municipal (22 Out.2013), a propósito do livro "Mentiras & Diamantes".
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
À conversa com... J. Rentes de Carvalho
No próximo dia 22 de Novembro, às 21.30 horas, na Biblioteca Municipal, iremos conversar com o escritor J. Rentes de Carvalho a propósito do livro "Mentiras & Diamantes".
O Livro
Jorge
Ferreira, «o conde», recebe na sua
quinta algarvia uma jovem e bela inquilina
inglesa, que pretende escrever um livro. O anfitrião
é um homem educado, atraente e rico, mas
em extremo reservado – não se lhe conhecem
amigos, amantes ou relações familiares –, que partilha a grande
casa senhorial com duas amas e uma
governanta. O seu passado esconde um trauma
que o acompanha até hoje e que
ele pretende eliminar da memória. Pelo contrário, Sarah Langton, filha de
um milionário italiano, é impulsiva e aventureira, «viciada
em liberdade» – o que não consegue conciliar com
a reclusão e a disciplina que a escrita exige. Tudo parece
concorrer para que estas duas personagens
se aproximem lentamente e que comecem a processar o que as
atormenta (a Jorge, os episódios do passado;
a Sarah, extrema dificuldade em escrever alguma
coisa pertinente para o seu livro
misterioso). Mas a súbita visita de
«Biafra» – «vistoso fato de linho
branco, cravo na botoeira, panamá na mão»
–, que vem para tentar uma pequena
chantagem, dá lugar a uma cascata de
revelações, desenlaces, homicídios, suicídios e
desaparecimentos entre a Nigéria, Marrocos,
Algarve, Londres e Amsterdão, tendo como
pano de fundo o tráfico de diamantes e um
país corrupto e corrompido, entregue aos seus segredos de família.
Mentiras & Diamantes, o mais recente e inédito romance de J. Rentes de
Carvalho, é um thriller habilmente construído e uma narrativa
implacável, violenta e sexy. E um maravilhosamente obscuro objeto de suspense.
O Autor
J. Rentes
de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945.
Obrigado a abandonar o país por
motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro,
em São Paulo, Nova Iorque e Paris.
Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na
Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil.
Licenciou-se (com uma tese sobre Raul
Brandão) na Universidade de Amesterdão, onde foi
docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Em 2012 foi galardoado com
o Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/Câmara Municipal de
Castelo Branco 2010-2011 com o livro Tempo
Contado. Os seus livros Com os Holandeses,
Ernestina, A Amante Holandesa, Tempo Contado,
La Coca, Os Lindos Braços da
Júlia da Farmácia, O Rebate, Mazagran e
agora Mentiras & Diamantes estão atualmente disponíveis
na Quetzal, que continuará a publicar o conjunto das suas obras.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
À conversa com... Francisco Azevedo
Mensagem do escritor Francisco Azevedo a propósito da conversa realizada no dia 25 de Outubro, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, quando do lançamento do seu livro "Arroz de Palma".
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