quarta-feira, 27 de abril de 2011

Almanaque Bertrand 2011-2012

No dia 23 de Abril, para comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a Bertrand lançou o n.º 71 do Almanaque Bertrand (2011/2012), quarenta anos depois da edição do último número (n.º 70) do mítico Almanaque Literário Bertrand.

O primeiro número data do final do século XIX. No mês em que se comemora o Dia Mundial do Livro, o histórico Almanaque Bertrand regressa, em exclusivo, às livrarias Bertrand: contos, poemas, passatempos, calendários, receitas literárias, prazeres, listas, crónicas, palavras cruzadas, horóscopos, lugares, citações, efemérides, curiosidades, ilustrações, entre outras páginas. E livros. Muitos livros.”

(Fonte: Bertrand)
       Desta publicação que agora ressurge, destaco a página 169 com uma referência à Biblioteca Municipal de Viana do Castelo:

Rui Faria Viana

sábado, 23 de abril de 2011

DIA MUNDIAL DO LIVRO



“Lembro-me […] das tempestuosas prelecções que o Leandro recebia do tio, que terminavam em bofetadas […] de cada vez que topavam com uma palavra abstrusa que o pobre moço […] nunca conseguiu dizer correctamente. A aziaga palavra era «acelga», que ele pronunciava «a cega». Berrava-lhe o tio: «acelga, meu burro, acelga!», e o Leandro, já à espera da estalada, repetia: «A cega.» Nem a agressão de um nem a penosa angústia do outro valiam a pena, o pobre rapaz, ainda que o matassem, sempre haveria de dizer «a cega».”
in "As Pequenas Memórias", José Saramago


Para todos os que, apesar de terem aprendido a ler à estalada, não perderam o amor aos livros.


carlos ponte

quarta-feira, 13 de abril de 2011

À conversa com... Lídia Jorge


Dia 27 de Maio, às 21.30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, vamos estar À conversa com... Lídia Jorge, a propósito do seu mais recente livro intitulado "A Noite das Mulheres Cantoras", editado pela Dom Quixote.

“Há uma pergunta que percorre este romance de Lídia Jorge, da primeira à última página: Quantas vítimas se deixam pelo caminho para se perseguir um objectivo? A acção decorre no final dos anos 80 do século XX e invoca um tema de inesperada audácia – o da força da idolatria e a construção do êxito – visto a partir do interior de um grupo, narrado 21 anos mais tarde, na forma de um monólogo. Como é habitual na obra da autora, a questão social é relevante – a força do todo e a aniquilação do indivíduo perante o colectivo são temas presentes neste livro. Mas aqui, tratando-se de um grupo fechado e dominado pela música, a parábola social submerge perante a descrição de um ambiente de grande envolvimento humano e de densidade poética. Servido por uma narrativa ao mesmo tempo rude e mágica, A Noite das Mulheres Cantoras propõe a quem o lê a história de seis figuras que passam a viver para sempre no nosso imaginário. A história de amor comovente que une as duas personagens principais, Solange de Matos e João de Lucena, é um daqueles episódios que iluminam a realidade e tornam indispensáveis a grande literatura sobre a vida de hoje, com os ingredientes próprios da cultura dos nossos dias..”



"Lídia Jorge nasceu em 1946, no Algarve. Da sua vasta obra destacam-se O Dia dos Prodígios (1980), O Cais das Merendas (1982), Notícia da Cidade Silvestre (1984), os dois últimos distinguidos com o Prémio Cidade de Lisboa, A Costa dos Murmúrios (1988), adaptado ao cinema num filme de Margarida Cardoso, e O Jardim sem Limites (1995), distinguido com o Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa. O Vale da Paixão (1998) recebeu os seguintes prémios: Dom Dinis, Bordallo, Ficção do Pen Club, Máxima de Literatura e o Prémio Jean Monet de Literatura Europeia – Escritor Europeu do Ano, tendo sido ainda finalista do International IMPAC Dublin Literary Award 2003. O seu romance O Vento Assobiando nas Gruas (2002) conquistou o Grande Prémio de Romance e Novela da APE e o Prémio Correntes d’Escritas e o romance Combateremos a Sombra o Prémio Charles Bisset (2008). Pelo conjunto da sua obra foi vencedora do prestigiado prémio da Fundação Günter Grass, na Alemanha, ALBATROS (2006) e do Grande Prémio Sociedade Prtuguesa de Autores – Millennium BCP."

Rui Faria Viana



Notícia sobre o blog

Notícia sobre o blog publicada no jornal As artes entre as letras, de 13 de Abril.



Rui Faria Viana

terça-feira, 12 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

À conversa com... Júlio Magalhães

Aqui ficam algumas fotos da sessão À conversa com... Júlio Magalhães, sexta-feira, dia 8 de Abril, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.

 

 





Júlio Magalhães - testemunho

Testemunho de Júlio Magalhães sobre a sessão À conversa com... na passada sexta-feira, dia 8 de Abril.

sábado, 9 de abril de 2011

Sala cheia com...




... Júlio Magalhães, jornalista e romancista, autor d' "Os RETORNADOS - Um Amor Nunca se Esquece", de "Um Amor em  Tempo de Guerra" e de "Longe do Meu Coração", aqui em dois modestos registos fotográficos, ontem à noite, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
Houve palmas, comoção, risos e até um ligeiro bruaá. Pessoalmente, gostei bastante. Foram umas horas muito agradáveis, ou não tivéssemos estado na presença de alguém que é  especialista na arte da comunicação.

Paulo Correia


A Passarada

Ver a grande gaiola branca cheia é muito agradável, ainda mais, por causa desse objecto obsoleto – o livro. A Passarada esteve presente, ouviu e registou o que ouviu e foi mais fotografada do que nunca. Gostei! Aprendi muito, e estas coisas são boas quando se aprende alguma coisa. Aprendi como se escreve um livro, que passos têm de ser dados, a regularidade com que o devemos fazer, etc. E esta cabecita já cansada, recolheu seu ninho cheio de ideias, que lhe afastaram o sono, com tanta agitação. E se escrevesse um livro? Que bom seria ter tanta gente à minha volta! Ideias tenho; sei escrever com alguma facilidade, colocar vírgulas e consultar o dicionário para distribuir umas palavras mais difíceis de tempos a tempos; ainda não estou completamente coca para confundir as personagens e manter alguma coerência; posso sempre aproveitar o que li noutros sítios e, para o lançamento, A Passarada ajuda. Posso contar convosco, não é verdade? Não quero escrever muito Canal 2, não quero escrever light, arrisco-me, com tanta facilidade e ilusão, é a ser ultra-leve
De uma coisa vim de lá com toda a certeza – não gosto mesmo de Morangos com açúcar…
As bicadas ternas da vossa
Escrevedeira

segunda-feira, 4 de abril de 2011


Permito-me publicar uma pequena fotografia, tirada meio à sorrelfa, da sala de trabalho do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.
Claramente mais bem instalados do que aqueles que o próximo convidado d' "À conversa com...", Júlio Magalhães, tentou retratar (homenagear?) no seu romance - vide anteriores postagens -, até porque estamos numa casa do Siza (!) (pois, com esta afinidade que ele, através da sua obra, quase nos impõem).

O trabalho de casa para a próxima sexta-feira, esse, está feito. Aguardo com uma certa expectativa a visita deste jornalista-escritor. Espero ficar a pensar dele tão bem como penso, desde há muito, desse outro escritor-jornalista-e-sobretudo-epicurista que nos visitou em Março, José Francisco Viegas. Fica também aqui uma lembrança desse dia.

Um abraço,
Paulo Correia



domingo, 3 de abril de 2011

Talvez se tenham cruzado por lá...



LONGE DO MEU CORAÇÃO de Júlio Magalhães.
O livro conta a história de Joaquim desde a vida dura e miserável numa aldeia perdida de Portugal dos anos sessenta até à imposição pelo Presidente da República da condecoração por altos serviços prestados à pátria, quarenta anos depois. Pelo meio há verdadeiras histórias de heroísmo, desencanto e perseverança. A primeira história de heroísmo vive-a durante o “salto”, um episódio tão traumatizante que só muitas décadas depois consegue falar sobre ele: “Acho que durante o mês que durou a viagem perdi a inocência com que saí de casa e me tornei homem.” Chegado, finalmente, a França, à terra das oportunidades e da abundância, foi um rude golpe desferido nos seus sonhos, aquilo com que se deparou e, “com os pés enterrados na lama […] não conseguiu disfarçar a desilusão. […] Depois de um mês de viagem, o corpo marcado pela fome e pelo cansaço, chegava finalmente ao seu destino. À sua frente tinha Champigny-Sur-Marne”, a terra dos sonhos e das oportunidades. […] Mas o que via […] era um cenário de total desolação.” O bidonville, a capital de Portugal em França, afinal era isto. Recomposto do murro da desilusão lançou-se ao trabalho: havia um sonho para cumprir. Custasse o que custasse chegaria lá.
Ao ler o romance vieram-me à memória dois nomes.
O primeiro, Jean Loup Passek, cineasta, fundador do festival de cinema de La Rochelle e programador do Centro George Pompidou que realizou um dia, já lá vão cerca de quarenta anos, um documentário sobre a presença dos emigrantes portugueses em França. Na altura travou conhecimento com um casal de trabalhadores portugueses que por lá labutavam. Daí a ter sido por eles convidado para passar férias em Portugal foi um passo. Passek aceitou o convite e eis que rumam a Portugal à terra dos emigrantes – Melgaço. O cineasta ficou encantado. Comprou casa por cá e não mais se desligou da Vila. Em agradecimento pela forma como foi recebido pelos portugueses doou à pequena vila de Melgaço um dos maiores espólios de artefactos cinematográficos que alguém conseguiu reunir, espólio esse que era disputado por grande parte dos países da Europa.



O segundo é Gerald Bloncourt , haitiano de nascimento, que um dia foi expulso do seu país por razões políticas e que em França tão bem retratou aqueles que, ainda que por razões diversas, foram também expulsos do seu país: os emigrantes portugueses.



A história não o diz mas imagino o Joaquim, na Rua Dunkerque, a cruzar-se vezes sem conta com Passek e aquela parafernália de fios, luzes, câmaras, carris e sombrinhas com que as tribos dos cineastas se fazem acompanhar para todo o lado, ou então a ser captado pela câmara de Bloncourt, lá ao longe, com o sfumato da neblina a diluir-lhe os contornos para que passe incógnito pela lama do bidonville.

carlos ponte

A passarada

Com o anúncio da Primavera, a passarada saiu do ninho, a notícia espalhou-se levada pelo vento, e começámo-nos a encontrar para chilrear, pipilar e palrar em conjunto.
Na gaiola branca, em Fevereiro, apesar do sol ainda estar baixo, reuniram-se o Gavião, a Lavandisca, a Rola-Brava, a Carriça, o Melro, o Pintarroxo, o Tentilhão, o Rouxinol e esta vossa Escrevedeira-de-Garganta-Preta. A razão do bando se juntar e voar em conjunto prende-se com o gosto pelo livro e pela leitura. Lemos, anotamos, pensamos, agitamos as asas, gorjeamos e, por vezes, damos bicadas fortes. É uma agitação esfusiante! Encontramo-nos com regularidade e antecipamos, com muito gozo, uma nova sessão de À conversa com…
Para não ficarmos muito out, já temos este blog… Apreciem-no, comentem-no e esperem sempre bicadas ternas da vossa
Escrevedeira

À conversa com...

À conversa com… é uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo que pretende, em torno do livro, incentivar a leitura, divulgar obras de autores da actualidade, promover a cultura e conhecimento e fomentar a interacção entre o público leitor e os escritores.
Com uma periodicidade mensal, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal, este projecto teve início em Outubro de 2009. Por estas conversas já passaram Luandino Vieira, António Manuel Couto Viana, Richard Zimler, Mário Zambujal, Rui Cardoso Martins, Alexandra Lucas Coelho, E. S. Tagino, João Tordo, Valter Hugo Mãe, Francisco Moita Flores, José Luís Peixoto, Francisco José Viegas, Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz e António Sousa Homem. E, muitos outros irão passar. Muitas sessões de autógrafos terão lugar. Muitos lançamentos de livros se farão.
Este blog é um projecto do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo e tem como objectivo divulgar e promover as actividades que se realizam em torno destas conversas. Nele poderão informar-se sobre as sessões, comentar a obra e o escritor escolhido e sugerir outros livros e outros escritores. Queremos que as sessões sejam cada vez mais participadas e com mais pessoas interessadas a assistir.

Isabel Campos

sexta-feira, 1 de abril de 2011

à conversa com... JÚLIO MAGALHÃES



Dia 8 de Abril, pelas 21,30 horas, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal, vamos estar à conversa com… Júlio Magalhães, a propósito do lançamento do seu livro intitulado "Longe do Meu Coração".


Sobre o livro: 
«Joaquim não queria acreditar no que os seus olhos viam. Tinha saído a salto de Portugal, viajado apertado em camionetas de gado, andado quilómetros e quilómetros a pé, à chuva e à neve, quase tinha perdido a vida nos Pirenéus e agora estava ali. Na capital portuguesa em França. O sítio onde, todos lhe garantiam, podia enriquecer e concretizar os seus sonhos. Mas o que via era um bairro de lata. Sentia os pés enterrarem-se na lama. Olhava para as barracas miseráveis e para os fardos de palha que faziam as vezes de uma cama. Mas, Joaquim não estava disposto a baixar os braços.
Depois do sucesso de Os Retornados – Um Amor Nunca se Esquece e Um Amor em Tempos de Guerra, Júlio Magalhães volta a ficcionar um tema fundamental e muitas vezes esquecido do século XX português: o drama da emigração portuguesa para França nos anos 60.
 Para Joaquim, Portugal estava longe. Era ali, em França, na terra que lhe dava de comer, que queria vingar, que prometia, à força do seu trabalho, derrubar fronteiras e preconceitos. O plano estava traçado. Iria abrir uma empresa de construção, com o seu amigo Albano, enriquecer e, depois de ter casa montada com carro estacionado à porta, iria pedir a mão da sua Françoise, a professora de Francês que lhe abriu o mundo das letras e do amor. Mas, cedo Joaquim vai descobrir que há barreiras difíceis de ultrapassar.»


Rui Faria Viana